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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

DISCÍPULO CAPIXABA DE OLAVO DE
CARVALHO CRITICA PROFESSORES

A força do astrólogo Olavo de Carvalho é maior do que supunha este blogueiro. Não bastam apenas os Roger e os Lobão para disseminar idéias que mais confundem do que esclarecem, para pregar a volta da ditadura militar como solução para todos os males que sofremos.


A força dos seguidores de Olavo de Carvalho está na facilidade em ludibriar as pessoas com um palavrório cínico, culpando, agora, os professores de história por ensinarem história nas salas de aula.

Gente como Gabriel Tebaldi, formado recentemente em história pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), com cerca de 23 anos de idade, se julga o supra-sumo da intelectualidade capixaba, capaz de escrever textos ignominiosos como o que reproduzo abaixo, que só servem para confundir, nunca para defender uma posição e esclarecer as pessoas.

Se quer defender a direita, defenda-a, mas com argumentos reais, não com argumentos de almanaque, que possam nos pôr a pensar e, quem sabe, mudar de ideia.

O texto do colunista capixaba, um arrazoado copiado de ideias pré-concebidas de pensadores de direita e coxinhas em geral, não acrescenta nada ao debate sobre a opressão a que os pobres são submetidos desde 1.500 com a chegada dos portugueses e amplificada brutalmente com a vinda da família real para o Brasil.

Para Gabriel Tebaldi, a culpa por sermos um povo pobre se deve a nós mesmos, que lutamos contra os ricos (1% da população) porque somos invejosos, não por uma necessidade social.

Olavo de Carvalho tem muito a aprender com seu discípulo capixaba.

Destruição intelectual


Vá estudar História!”: esse é o novo argumento da pseudo-esquerda. Mantendo a mania de sentir-se iluminado, o militante vulgariza os demais e usa a agressão para encobrir seu real despreparo. Algo grave, porém, tem ocorrido: a militância chegou à sala de aula, agora como professor.


Algo é certo quando abordo a Educação por aqui: pais e professores entram em contato relatando a doutrinação dos alunos nas escolas. Os casos vão desde as críticas ao capitalismo e elogios cubanos, até ao professor que apresenta Che Guevara como “o maior ser humano do século XX”.


O ranço marxista das universidades formou os docentes que, convictos de que a sala é o aquecimento da revolução, cospem uma versão unilateral, acrítica, corrupta e tendenciosa dos fatos. Apoiando-se no idealismo da juventude, os professores que gritam “Vá estudar História” repetem ideias medíocres que meia dúzia de páginas bastariam para contrapor.


Porém, em tempos de uma geração recheada de informação e carente de conhecimento, a luta de classes encanta, a exploração encobre o fracasso e a vitimização facilita a vida de quem não aprecia o trabalho. Somado aos modismos, a alienação forma empunhadores de bandeiras que sequer conhecem o que defendem.


A ignorância não é surpresa num país em que 70% da população não lê sequer um livro por ano e 55% não participa de atividades culturais. Pasme: 50% dos universitários apresentam analfabetismo funcional. Fazer barulho e promover rótulos é a arma de quem não tem o que dizer. Assim, as paixões ideológicas transformam empreendedores em opressores, riqueza honesta em pecado e resume a vida intelectual do jovem ao combate à burguesia (leia-se: você).


O fato é simples: não há conscientização sem leitura, aprendizado sem estudo e conhecimento sem esforço. A inteligência não se constrói com romantismo ou grito de ordem. Nas palavras de Milton Santos, “a força da alienação vem dessa fragilidade dos indivíduos quando apenas conseguem identificar o que os separa e não o que os une”.


Gabriel Tebaldi é graduado em História pela Ufes


Aqui o link para o jornal Gazeta do Espírito Santos


RESPOSTA

Olá Gabriel Tebaldi.

Sou assinante Gazeta, leio sua coluna com certa frequência, acho bastante interessante sua forma de olhar os fatos do cotidiano (daí o nome da sua coluna, Outro Olhar), mesmo não concordando com todas suas opiniões, eu as respeito por não conhecer suas motivações (o que te inspira a escrever), mas, em especial seu artigo publicado em dia 20 de fevereiro 2016 me motivou a lhe escrever.

Repito, não sei o que lhe motiva a escrever, mas, sua publicação referida acima, confesso, me deixou “desorientado”.

Vamos ao artigo: paragrafo um (1) “ ‘Vá estudar História’ esse é o argumento da pseudo-esquerda. […] o militante vulgariza os demais e usa a agressão para encobrir seu real despreparo. […] a militância chegou a sala de aula, agora como professor.

Meu questionamento, Gabriel: quem é a pseudo-esquerda? Suas palavras nesse artigo, não tem o afã de vulgarizar o que você (sem esclarecer) classifica como militantes da pseudo-esquerda? Quando você afirma que a militância chegou a sala de aula agora como professor, eu como pai (com filhos em idade escolar) gostaria que você fosse mais específico, quem são esses “lobos em pele de cordeiro” são todos os professores? São professores de determinada disciplina? São todos os professores de todas as escolas do estado? Só estou querendo proteger meus filhos desses “lobos”.

Parágrafo dois (2): você afirma que pais e professores lhe dão o testemunho de “doutrinação” dos alunos nas escolas. Só um adendo: nosso sistema educacional é composto por “doutrinadores”. O professor por natureza é um doutrinador, pois esse transmite, partindo dele, um conhecimento específico a seus alunos, isso acontece em todas as áreas, Humanas, Exatas, Biológicas… Um exemplo: todo professor de matemática ensina a seus alunos como resolver uma equação, mas, não lhes dá o prazer de conhecer a história daquela equação que ele resolverá, isso não é ensino, é doutrina, assim como os dogmas religiosos, faça assim porque é assim que tem que ser feito. Não há uma pré disposição para se ensinar o porquê.

Você afirma que os testemunhos “vão desde as críticas ao capitalismo e elogios cubanos, até professor que apresenta Che Guevara como ‘o maior ser humano do século XX’ “, partindo de sua análise isso é doutrinação? E se o inverso fosse verdadeiro, também não se caracterizaria doutrinamento? Esses pais que você relata fazem parte de qual classe social? As escolas onde esses alunos estudam, quais são?

Gabriel, você assina como sendo graduado em História, isso me leva a crer que você conheça a “História da educação no Brasil”. Os dados estatísticos que você traz no quinto (5º) parágrafo, é um reflexo da “História da educação no Brasil” que sempre buscou doutrinar e nunca ensinar (ensinar não é doutrinar) a história da nossa educação é toda baseada em opressão “desde os primórdios até hoje em dia” (Homem Primata, Titãs), a luta não é contra a burguesia (reflita), e sim contra a desigualdade, contra a ausência de UBUNTU. “Um antropólogo, estava estudando os usos e costumes de uma tribo africana quando, ao final dos trabalhos, ele propôs uma brincadeira com as crianças, colocou um cesto cheio de doces embaixo de uma árvore e propôs uma corrida (quem fosse o primeiro, ficaria com tudo) quando todas as crianças estavam prontas para correr ele disse: já, todas as crianças se deram as mãos e correram juntas para o cesto, e comemoraram juntas a conquista, o antropólogo se espantou com o ocorrido, uma das crianças olha para ele e diz: “UBUNTU” tio, como uma de nós poderia ficar feliz se todas as outras ficariam tristes? UBUNTU, significa: sou o que sou porque somos todos nós” Thiago Rodrigo.

As palavras do “mestre” Milton Santos que você cita podem ser entendidas assim: o que nos separa é a desigualdade, seja ela racial, econômica, religiosa, intelectual…O que nos une é UBUNTU.

“Você se torna eternamente responsável por aquele que cativa” (Antoine de Saint-Exupéry). Quem escreve, de alguma forma cativa alguém.

Rodrigo Viana de Lima, licenciado em filosofia pela UFES, pós-graduado em história e ensino religioso (lato sensu)