Páginas

quarta-feira, 2 de março de 2016

LOCUTORES REMUNERAM RÁDIO

Sou do tempo em que os locutores eram regiamente pagos para entreter os ouvintes de rádio, geralmente em programas musicais, um ou outro social, para mandar abraços e anunciar os aniversariantes do dia. Tinha também o programa esportivo, a maior audiência da rádio quando o Taubaté brilhava na Divisão Especial.

Bons tempos aqueles em que Silva Neto, sempre de cara fechada, mas de coração mole, circulava pelos corredores da Difusora e da Cultura fiscalizando o trabalhos dos técnicos de som das duas emissoras.

Eu era um dos “técnicos”. Na verdade, um reles auxiliar a ligar e desligar os microfones dos locutores, tocar as músicas pedidas pelos ouvintes e as propagandas.

A Difusora tinha uma infinidade de discos de 78 RPM (rotações por minutos) na técnica, com propaganda da Gessy Lever e de outras marcas famosas, que vinham de São Paulo.

Havia também centenas de LPs (long play) com as músicas mais pedidas pelos ouvintes e as que usávamos como fundo musical. Tínhamos que ser ágeis para atender a solicitação musical do ouvinte,que era feita "ao vivo".

Para nossa sorte, o verdadeiro técnico da rádio, Orlando Pinto de Andrade, inventou uma caixinha na qual as propagandas eram gravadas individualmente. Um ”apito”, também criado por Orlando, marcava o início e o fim da propaganda executada.

Outra criação genial de Orlando: o microfone sem fio para as transmissões esportivas. Tudo criado na oficina da Difusora, que ficava nos fundos do suntuoso prédio da rua Dr. Souza Alves.

Lembro-me de ter causado inveja num repórter da Jovem Pan, na transmissão que a Difusora fazia de uma partida da Taça Libertadores no Morumbi. O repórter não entendia como eu falava na rádio e ouvia ao mesmo tempo, sem nenhum fio. Eu também não entendia. Hoje, todo o mundo usa microfone sem fio.

Tempo em que tínhamos prazer em fazer rádio. A Difusora atual jamais terá locutores como Santos Cursino, Paulo Roberto, Robson Baroni, Rubens Pim Pim, Geraldo Magela e outros que minha memória teima em esconder, por mais que me esforce em prestar-lhes esta singela homenagem.

Não haverá mais um J. Bonani que, no início dos anos 70, criara um programa em que misturava entrevistas e informações variadas às sete da manhã, apoiado por Barbosa Filho com seus 17 ou 18 anos.

Não haverá mais Anacleto Rosas Júnior, Luiz Rosas ou Arrael Teodoro do Prado apresentando programas sertanejos.

Não haverá mais equipe esportiva com Getúlio Mendes de Almeida, Robson Monteiro, Adilson Barbosa e eu mesmo, modestamente.

Zezinho Pereira foi o penúltimo grande repórter da Rádio Difusora.

O “Brancão do Samba”, como se autointitulava, era incansável: cobria polícia, o dia-a-dia da cidade. Saía à cata de notícias. Andava o dia inteiro a pé, com o gravador debaixo do braço, pronto para entrevistar alguma personalidade da cidade ou quem fosse notícia naquele momento.

O último grande repórter da Difusora foi Rogério Veloso, com sangue radiofônico correndo nas veias.  O rádio acabou.

Hoje, ao invés de serem remunerados, os apresentadores, remuneram a rádio, isso é, pagam para ter seus programa e promover suas pré-candidaturas.

A mamata destes locutores acaba três meses antes do dia das eleições. Até lá, cada um faz a sua pré-campanha, apoiados por banners e outdoors, como Guará Filho e Vivi da Difusora.

É tempo de internet...

Para mais informações sobre a Difusora, acesse este link.