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terça-feira, 8 de março de 2016

O ÓDIO QUE VEM DO ALTAR

Silvio Prado, professor

Não estranho que o bispo auxiliar de Aparecida, Darci Nicioli, durante missa celebrada no domingo, tenha aconselhado seus milhares de fieis a pedir a Deus “a graça de pisar a cabeça da serpente, de todas as víboras que insistem e persistem em nossas vidas, daqueles que se autodenominam jararacas. Pisar a cabeça da serpente, vencer o mal pelo bem”.

D. Darci Nicoli: uso do altar para pregação política enganosa
Fosse ele um idiota, como os bandos de coxinhas que saem pedindo o impeachment de Dilma, a prisão ou a morte de Lula, até seria fácil de entender, pois coxinha é mesmo uma espécie sem neurônios. Mas o bispo auxiliar de Aparecida pode ser tudo, inclusive canalha, mas não um idiota.

Então, o que temos é que do altar mais importante do mundo religioso do país, ao invés da mensagem de paz ou de denúncias de injustiças flagrantes - como pede o Evangelho -, acendeu-se mais um fósforo nas proximidades do tambor de gasolina que virou a sociedade brasileira.

Só um tonto aceita as desculpas do bispo de que ele não se referiu ao Lula e aos milhões de brasileiros que, nesse momento, assumem, em solidariedade ao ex-presidente, a denominação de jararacas, como forma de resistência explicita ao golpe que ameaça a democracia brasileira.

Não estranho que da boca de um bispo de Aparecida tenha saído tamanha demonstração de ódio porque, há tempos, aquele espaço sagrado para o povo acolhe gente do padrão merendeiro de Alckmin e da farsa constante de Serra, o religioso. Mesmo no ano em que Alckmin ordenou o massacre do Pinheirinho, nenhuma censura o impediu de ir ao altar no dia 12 de outubro e, na sua eterna pose de imaculado, assistir e participar da celebração de Aparecida.


Enfim, a Igreja Católica brasileira perdeu a vergonha de colocar o pé no golpe e, de costas para o papa Francisco, estimula publicamente que aconteça o pior.