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sexta-feira, 1 de abril de 2016

CARTA AOS IRMÃOS NORDESTINOS

Avenida Conde da Boa Vista na noite de 31 de março de 2016, em Recife. Foto: Fernando da Hora/JC Imagem

Meu primeiro chefe era pernambucano. Torcedor do Santa Cruz. Seu Zé morava em Jandira, município da Grande São Paulo. Trabalhávamos, em 1966, em um estúdio fotográfico na Rua Conselheiro Crispiniano, no centro da capital paulista.

Foi seu Zé meu primeiro professor na vida profissional. Com ele aprendi a fotografar, a revelar filmes e fotografias, a fazer cópias reprográficas, as antigas fotocópias, que demoravam de 10 a 15 minutos para serem feitas.

Já naquela época, os paulistanos (sou paulista, nascido no interior) esnobavam os nordestinos. Eram todos “baiano cabra da peste”. Almocei pelo menos uma vez na casa de seu Zé, em Jandira. Uma família hospitaleira, fidalga. Todos pernambucanos.

Em meus 65 anos de vida só estive no nordeste duas vezes: uma  vez em Sergipe (Aracaju), para um congresso de comunicação, e outra em Recife. Quis conhecer e ser fotografado em frente ao Mundão do Arruda. Estávamos em 2006, no primeiro governo Lula. Pude viajar de avião.

Quero dizer aos irmãos nordestinos que desfrutei da hospitalidade de vocês e pude comprovar que seu Zé não era um “adaptado” para sobreviver em São Paulo. Sua cortesia era genuína.

Moro em uma região densamente povoada, o Vale do Paraíba paulista, com mais de 2 milhões de habitantes. Na faculdade em que lecionei tive alunos nordestinos (baianos e cearenses sobretudo) e pelo menos um nortista (amazonense), todos dedicados aos estudos.

Quando trabalhei no CTA, convivi com estudantes do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica). Havia um pernambucano estagiário no laboratório em que eu trabalhava. Eu estudava em um colégio técnico e todas as dúvidas que eu tinha de física e matemática era o estagiário pernambucano que me tirava.

Minha cidade (Taubaté) tem um bairro habitado por milhares de nordestinos. Dizem que passa dos cinco mil. Não sei. Mas eles estão lá, produzindo com os demais brasileiros a nossa riqueza. São pedreiros, balconistas, seguranças, professores, bancários, etc.

Por fim, mas não por último, peço aos amigos nordestinos que continuem mobilizados. Que a força dos nordestinos, fundamentais na eleição de Dilma Rousseff, chamados de “bovinos” pelo jornalista Diogo Mainard, da Veja (que também chama o pernambucano Lula de anta) se esparrame por este Brasil.

Os paulistas são a mola propulsora do golpe. Não é (só) a Globo, Paulo Skaf, o presidente da Fiesp, a maior e mais poderosa associação de empresas do país, é um empresário falido.

Skaf chegou jovem em Pindamonhangaba (outra cidade do Vale do Paraíba paulista cheia de nordestinos) para dirigir oi Lanifício Skaf, que faliu em suas mãos.

O empresário que não tem empresa, mas dirige uma associação poderosa de empresários, comanda o golpe de São Paulo, usando dinheiro do Senai e do Sesi (dinheiroi público, é bom que se diga) para encaminhar o golpe.

Nordestinos! Os paulistas e os sulistas conscientes contam com a força de vocês para vencermos a guerra pela manutenção da democracia. Neste dia 31 de março vencemos uma batalha, mas a guerra está longe do fim.

O golpe é paulista!

O golpe é contra a transposição do Rio São Francisco!

O golpe é contra os nordestinos residente no sul e no sudeste!

O golpe é contra o desenvolvimento do nordeste!

Contamos com vocês!

#NãoVaiTerGolpe!

#VaiTerLuta!