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quinta-feira, 8 de setembro de 2016

ACABOU PARA ORTIZ JUNIOR.
CANDIDATURA INDEFERIDA

Ortiz Junior deixa a cena política de Taubaté pela porta dosa fundos
Acabou a agonia do eleitor taubateano. Ortiz Junior teve o registro de sua candidatura indeferida pela Justiça Eleitoral. A sentença do juiz eleitoral Paulo Roberto da Silva foi publicada no Divulgacand às 19h45 desta quinta-feira (8)

Com a decisão, a partir de amanhã (9) Ortiz Junior ficará fora do horário político no rádio e na televisão e os cartazes que porventura estejam expostos ao público devem ser retirados

Leia abaixo:

Vistos

                                                                            O Ministério Público Eleitoral promoveu ação de impugnação de pedido de registro de candidatura em face do pedido de registro de candidato a cargo de Prefeito Municipal, nas eleições de 2016, neste Município, pela Coligação “TAUBATÉ QUE A GENTE QUER” - (PP, PDT, PTB, PSC, PR, DEM, PHS, PSB, PSDB, PRP, PSD, SD, PROS).
                                                                           

                                                                           Em suma, diz o referido autor que o candidato encontra-se sem condições de elegibilidade ante o teor do art. 14, § 3º, da Constituição Federal, porquanto não atendeu às exigências do referido dispositivo legal, porquanto não demonstrou estar no pleno exercício dos seus direitos políticos, conjugando-o, ainda, com os seus §§ 7º e 9º, transcrevendo-os, como também às exigências da Lei Complementar 64/90, em especial quanto ao artigo 1º, inc. I, alínea “d”, introduzida pela Lei Complementar nº 135/2010, devido ao venerando acórdão, em Recurso Eleitoral, sob nº 587-38.2012.6.26.0141 sem notícia de que o impugnado tenha obtido, em caráter cautelar, e perante o órgão colegiado “ad quem”, decisão suspensiva da supracitada inelegibilidade, com vista ao cumprimento do art. 26-C da LC nº 64/90.
                                                                           
                                                                            Ele, o autor da ação de impugnação referida, pediu o seu recebimento para processamento, requerendo sua procedência e indeferimento do pedido de registro de referida candidatura.

                                                                            A impugnação de folhas 213/216 veio acompanhada de documentos.

                                                                            O Partido Socialismo e Liberdade – PSOL, requereu o indeferimento do registro de candidatura de José Bernardo Ortiz Monteiro Júnior, ao cargo de Prefeito Municipal de Taubaté,  com base na Resolução TSE 23.455, de 15 de dezembro de 2015, art. 3º, da LC 64/90, devido ao RE nº 587-38.2012.6.26.0141, julgado em 04.11.2014, no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE) e o Recurso Especial Eleitoral nº 58738, julgado em 1º de agosto de 2016, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), portanto ficando inelegível em face do art. 1º I, “d” da Lei Complementar 64/90, com redação dada pela Lei Complementar nº 135/2010 (fls. 257/260).

                                                                            Irani Gomes de Lima, eleitor neste Município, pediu a impugnação de referida candidatura, em face da representação eleitoral contra o candidato José Bernardo Ortiz Monteiro Júnior, por abuso de poder econômico, quando das eleições para Prefeito Municipal de 2012, a qual, em Segundo Grau na Justiça Eleitoral foi considerada procedente, cassando seus direitos políticos, cassando o registro da chapa, atingindo o candidato Edson Aparecido de Oliveira, inclusive e, após recurso ao T.S.E. não

obteve êxito em reverter o quadro, suspendendo-se os efeitos do acórdão  do T.R.E. em face de ação cautelar promovida na Instância Superior, a qual foi considerada improcedente, sendo cassada a medida liminar então concedida. Acrescentou que, comunicado este Juízo Eleitoral de Taubaté, o então Prefeito Municipal, ora candidato, foi afastado do cargo e Paulo Miranda tomou posse interinamente (fls.278/281).

                                                                            O candidato, alvo das impugnações, “Ortiz Júnior” foi notificado das medidas intentadas, sendo-lhe concedido prazo para defesa.

                                                                            Ele, em 30 de agosto de 2016, numa só oportunidade, apresentou contestação às três “impugnações” deduzidas e acima referidas (fls.287/306, com documentos de folhas 307/324).

                                                                            Determinei providências à digna Serventia para que documentos fossem juntados aos autos, considerando o contido não só nas ações promovidas pelo Ministério Público e o PSOL, como também na “impugnação” deduzida por Irani Lima (despacho de fls. 327328, com base no art. 41, da Resolução TSE 23.455).

                                                                            A Serventia cumpriu o que lhe foi determinado, sendo-lhes, de imediato, com o cumprimento da ordem de diligência, concedido prazo único para se manifestarem, querendo, em cinco dias, nos termos do art. 42 da Resolução TSE nº 23.455/2015,

                                                                            Silenciaram-se todos (certidão de folhas 343, in fine).

                                                                            A Serventia juntou nos autos informações sobre “ Requisitos para o Registro Analítico” (RRA), dos candidatos a Prefeito e Vice-Prefeito, na coligação em epígrafe.

                                                                            O candidato Edson Aparecido de Oliveira, ao cargo de Vice-Prefeito Municipal, não foi alvo de impugnações.


                             
                                                                            Autos conclusos e relatados.

                                                                            Decido:

                                                                            Anoto, inicialmente, que, nos termos do art. 49 da Resolução TSE 23.455/2015, os pedidos de registro das chapas majoritárias devem ser julgados em uma única decisão por chapa de cada uma das candidaturas, e somente serão deferidos se ambos os candidatos forem considerados aptos, não podendo ser deferidos os registros sob condição.
                                                                           
                                                                            Se o Juiz Eleitoral indeferir o registro, deve especificar qual dos candidatos não preenche as exigências legais e apontar o óbice existente, podendo o candidato, o partido político ou a coligação, por sua conta e risco, recorrer da decisão ou, desde logo, indicar substituto ao candidato que não for considerado apto, na forma dos arts. 67 e 68 ( § único, art. 49, Resolução referida).

                                                                            Passo às análises devidas quanto aos registros pretendidos.

                                                                            Assinalo, desde já, não haver dificuldades para julgar as ações apresentadas contra a candidatura ao cargo de Prefeito municipal, mas saliento que este juízo procurou os princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, respeitando prazos, inclusive, em face da Lei Eleitoral e de Resolução do Egrégio Tribunal Superior Eleitoral.

                                                                            E, complementadas diligências indispensáveis, silenciando-se os interessados, passo ao julgamento das ações e da referida impugnação.

                                                                            É cediço que, nos termos do prescrito no artigo 11, § 10, da Lei nº 9.504/97, as condições de elegibilidade e causas de inelegibilidade devem ser verificadas quando do momento em que se requer registro de candidatura, o que previsto também no artigo 27, § 12, da Resolução TSE nº 23.455/2015.


                                                                            O pedido de registro de candidaturas, de Prefeito e de Vice-Prefeito, respectivamente de José Bernardo Ortiz Monteiro Júnior e de Edson Aparecido de Oliveira, foi apresentado em 15.08.2016 (fls. 02, data do protocolo).

                                                                            Sabe-se que o deferimento de pedido de registro de candidatura de uma eleição não repercute nas eleições seguintes, ainda que com base nos mesmos fatos, “pois as condições de elegibilidade e as causas de inelegibilidades são aferidas a cada eleição” (Ag.R-RD nº 70812/PR, Rel. Min. João Otávio de Noronha. PSESS de 25.9.2014).

                                                                            Assinalo, ainda, que as matérias preliminares suscitadas confundem-se com o mérito, exceto as apontadas em face da impugnação deduzida por referido jornalista, Senhor Irani, mas não vejo impedimento de que se apreciem as ações do Ministério Público Eleitoral e do PSOL e a referida impugnação numa só vez.

                                                                            Aliás, o candidato impugnado apresentou uma só “contestação” no caso.

                                                                            Este juízo, repito, procurou respeitar os princípios do contraditório, do devido processo legal e o da mais ampla defesa, contidos na Constituição Federal e na Legislação Eleitoral.

                                                                            Bem!

                                                                            Irani Lima não dispõe de capacidade postulatória por não ser advogado ou mesmo ter constituído um profissional do direito para representa-lo e tampouco está dentre aqueles que podem mover a ação de impugnação de registro de candidatura, porém, segundo a Resolução nº 23.455/2015, do TSE, de 15.12.2015, não se vê impedimento para que se pudesse dar conhecimento ao juízo de eventual irregularidade ou falta de condição de elegibilidade de qualquer candidato, desde que, o juízo providenciasse ciência ao Ministério Público, conforme anotei no despacho de folhas 327/328.


                                                                            Mesmo que a considerasse inexistente, não haveria prejuízo à análise dos autos.

                                                                            É que as Ações de Impugnação de Registro de Candidatura, promovida pelo Ministério Público Eleitoral e a promovida pelo PSOL relacionam-se ao mesmo tema e, portanto, repito, numa só oportunidade, analisando todos os argumentos de um lado ou do outro, passo a definir o mérito da causa, não vendo necessidade de retirar dos autos a “impugnação” ofertada por referido cidadão, o jornalista.

                                                                            Pois bem! Diz o artigo 14, § 3º, da Constituição Federal:
                               “§ 3º  - São condições de elegibilidade, na forma da lei:
              
I-             a nacionalidade brasileira;
II-            o pleno exercício dos direitos políticos;
III-           o alistamento eleitoral;
IV-          o domicílio eleitoral na circunscrição;
V-           a filiação partidária;
VI-          a idade mínima constitucionalmente exigida para ocupar os referidos cargos públicos”.

(...)

“§ 7º- São inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o cônjuge e os parentes consanguíneos ou afins, até o segundo grau ou por adoção, do Presidente da República, do Governador de Estado ou Território, do Distrito Federal, de Prefeito ou de quem os haja substituído dentro dos seis meses anteriores ao pleito, salvo se já titular de mandato eletivo e candidato à reeleição.

                               (...)

§ 9º.-Lei Complementar estabelecerá outros casos de inelegibilidade e os prazos de sua cessação, a fim de proteger a normalidade e legitimidade das eleições contra a influência do poder econômico ou o abuso do exercício de função, cargo ou emprego na administração direta ou indireta.”


                                                                            Oportuno anotar, ainda, o que diz o art. 1º da Lei Complementar nº 64/1990.

                               “Art. 1º - São inelegíveis:

                               (...)

“d” – os que tenham contra sua pessoa representação julgada procedente pela Justiça Eleitoral, em decisão transitada em julgado ou proferida por órgão colegiado, em processo de apuração de abuso de poder econômico ou político, para a eleição na qual concorrem ou tenham sido diplomados, bem como para as que se realizarem nos 8(oito) anos seguintes. (Redação dada pela Lei Complementar nº 135, de 2010).


                                                                            Transcrevo as ementas dos venerandos acórdãos, copiados a folhas do Egrégio Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, no Recurso Eleitoral nº 587-38.2012.6.26.0141, julgado em 04.11.2014, com Embargos de Declaração julgados em 15.12.2014.

                                                                            Ementa do venerando acórdão quanto ao Recurso Eleitoral:

“RECURSO ELEITORAL- AÇÃO DE INVESTIGAÇÃO ELEITORAL – ABUSO – DE PODER ECONÔMICO – DE PODER POLÍTICO AUTORIDADE- CONDUTA VEDADA A AGENTE PÚBLICO- CARGO –PREFEITO-VICE-PREFEITO -PEDIDO DE APLICAÇÃO DE MULTA.
RECORRENTE(S): JOSÉ BERNARDO ORTIZ MONTEIRO JÚNIOR,   EDSON APARECIDO DE OLIVEIRA, COLIGAÇÃO ‘TAUBATÉ COM TUDO DE NOVO” MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL.

                               (...)

PROCEDÊNCIA: TAUBATÉ-SP ( 141ª ZONA ELEITORAL – TAUBATÉ)
EMENTA; RECURSO ELEITORAL – AÇÃO DE INVESTIGAÇÃO JUDICIAL ELEITORAL – CAPTAÇÃO ILÍCITA DE RECURSOS – ABUSO DO PODER POLÍTICO E ECONÔMICO – OBTENÇÃO DE RECURSOS PAA CAMPANHA ELEITORAL ADVINDOS DE FRAUDE EM LICITAÇÕES. 1. REPRESENTAÇÃO QUE FOI OFERTADA CONTRA QUATRO ACUSADOS, APONTANDO AS SEGUINTES IRREGULARIDADES: A) CONTRATAÇÃO IRREGULAR DE ‘APADRINHADOS POLÍTICOS’ POR MEIO DE EMPRESAS TERCEIRIZADAS; B) USO DE BENS MÓVEIS COM FINALIDADE ELEITORAL; FRAUDE EM PROCEDIMENTO LICITATÓRIO COM O ONJETIVO DE OBTER RECURSOS FINANCEIROS PARA CAMPANHA ELEITORAL; 2. SENTENÇA QUE JULGOU PARCIALMENTE A REPRESENTAÇÃO. REJEITOU A PRÁTICA DOS FATOS NARRADOS NOS ITENS “A” e “B”, POR FALTA DE PROVAS, MAS RECONHECEU O ILICITO DESCRITO NO ITEM ‘C’, QUE CONSTITUI A PRÁTICA DE ABUSO POLÍTICO E ECONÔMICO. CONDENAÇÃO SOMENTE DO SEGUNDO E DO TERCEIRO REPRESENTADOS, RESPECTIVAMENTE PREFEITO E VICE-PREFEITO ELEITOS. 3.RECURSO DO MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL NO SENTIDO DE RECONHECER, TAMBÉM, A PARTICIPAÇÃO DO PRIMEIRO REPRESENTADO, ALMEJA, AINDA, SEJA APLICADA AO TERCEIRO REPRESENTADO O VICE-PREFEITO, A SANÇÃO COMPLEMENTAR DE SUSPENSÃO DE DIREITOS POLÍTICOS. POSTULA. ADEMAIS, A APLICAÇÃO DE MULTA A TODOS OS CONDENADOS. 4. RECURSOS DOS SEGUNDO, TERCEIRO E QUARTO REPRESENTADOS. TODOS PUGNANDO PELA IMPROCEDÊNCIA TOTAL DA AÇÃO. 5. QUESTÕES UNICAMENTE DE MÉRITO. 6. RECURSO DO MPE ACOLHIO EXCLUSIVAMENTE PARA DECLARAR A INELEGIBILIDADE DE JOSÉ BERNARDO ORTIZ, NOS TERMOS DO ART. 1º., INCISO I, ALÍNEA ‘D’ DA LEI COMPLEMENTAR Nº 64/9. REJEITADO QUANTO A CONDUTA VEDADA, POIS A ALEGADA DOAÇÃO DE BENS MÓVEIS DA ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL, COM FINS ELEITORAIS, NÃO RESTOU COMPROVADA, POSTO QUE FORAM OBJETO DE PERMISSÃO DE USO, TENDO COMO PERMISSSIONÁRIA ENTIDADE COM FINS SOCIAIS. INDEVIDA. VIA DE CONSEQUÊNCIA, A APLICAÇÃO DA MULTA, POR OUTRO LADO, EMBORA O MANDATO DO VICE SEJA ATRELADO AO DO PREFEITO, INCABÍVEL A EXTENSÃO DA INELEGIBILIDADE, DADO O CARÁTER PESSOAL DESTA SANÇÃO QUE, IMPOSTA A UM DOS CANDIDATOS, NÃO SE ALASTRA, OBRIGATORIA E AUTOMATICAMENTE, AO OUTRO COMPONENTE DA CHAPA MAJORITÁRIA, CONFORME PRECEITUA O ARTIGO 18 DA LC N° 64/90 E OS DEMAIS PRECEDENTES DO TSE. RECURSO DO MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL, PORTANTO, PARCIALMENTE PROVISO. 7. RECURSOS INTERPOTOS PELOS DEMAIS RECORRENTES, DESPROVIDOS, MANTENDO-SE A R. SENTENÇA EM SEU DESFAVOR CORRETAMENTE DECRETADAS A PERDA DOS MANDATOS ELETIVOS, E A INEGEBILIDADE. ABUSO DE PODER ECONÕMICO CARACTERIZADO. ESQUEMA DE FRAUDE EM LICITAÇÃO COM A FINALIDADE DE FINANCIAR CAMPANHA ELEITORAL. SUFICIENTE O CONJUNTO PROBATÓRIO CARREADO A ESTES VOLUMOSOS. DETALHADO E CONVINCENTE RELATO DE TESTEMUNHA QUE PARTICIPOU DIRETAMENTE DA PRÁTICA ILICITA. CONFESSANDO-A E DELATANDO OS PARTÍCIPES O FAZENDO SEM EXIMIR DA SUA PRÓPRIA RESPONSABILIDADE NOS FATOS”

                             
                                                                              Na ocasião, rejeitou-se alegada preliminar de nulidade do feito e ao recurso, por maioria, foi dado provimento ao recurso do Ministério Público Eleitoral para declarar a inelegibilidade de José Bernardo Ortiz e negar provimento aos demais recursos, contra votos dos Juízes Alberto Zacharias Toron e do Des. Mário Deviene Ferraz, que acolheram a preliminar de nulidade do feito, negando provimento ao recurso do Ministério Público Eleitoral e davam provimento aos demais recursos (fls. 218/219 destes autos).
                                                                            Cópia do venerando acórdão, do qual foi Relator Roberto Maia, encontra-se a folhas 218/250.
                              
                                              Embargos de declaração contra essa decisão não foram acolhidos.

                                                                            Interposto Recurso Especial Eleitoral, o Eminente Presidente da Corte Paulista, Desembargador Mathias Coltro, denegou seguimento e em janeiro de 2015 o ora candidato (candidato também nas eleições de 2012), interpôs em 06 de janeiro de 2015 no E. Tribunal Superior Eleitoral recurso adequado a modificar o julgamento da Corte Eleitoral Paulista, promovendo, ainda, naquele Sodalício, ação cautelar com objetivo de obter efeito suspensivo ao recurso.

                                                                            No T.S.E. o então candidato no pleito de 2012, agora candidato ao mesmo cargo, em 2016, José Bernardo Ortiz Monteiro Júnior, obteve medida liminar, de efeito suspensivo ao recurso, o que o manteve no cargo de Prefeito Municipal de Taubaté, no qual foi empossado no início de 2013 até recentemente.

                                                                            Mas, em julgamento no T.S.E., iniciado no final de 2015, e concluído em 1º de agosto de 2016, o recurso foi denegado, por maioria de votos, sendo, concomitantemente, julgada improcedente a ação cautelar,  de nª 22-30.2015.6.00.000-TSE, por maioria de votos, revogando-se, de imediato, a medida liminar concedida, fato comunicado em 09 de agosto de 2016 ao Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, o qual, imediatamente, comunicou a este juízo para as providências cabíveis e, por conseguinte, foi o Presidente da Câmara Municipal de Taubaté comunicado para que, observando a Lei Orgânica do Município, viesse a assumir a Prefeitura Municipal de Taubaté, o que efetivamente ocorreu.

                                                                           E, ciente dos fatos, em 10 de agosto de 2016 (venerandas decisões do TSE e do TRE), em 11 de agosto de 2016, tomou posse no cargo de Prefeito Municipal, como se vê nos documentos de folhas 331/339.

                                                                            Este juízo, diante de decisão do TSE, comunicada ao TRE, procurou cumprir os termos do Venerando Acórdão do Recurso Eleitoral, porquanto o ora candidato, “Ortiz Júnior” teve seus direitos políticos suspensos por oito anos.

                                             Porém, não se comunicou a sanção, ou seja, a vedação ao Senhor Edson Aparecido de Oliveira, candidato a Vice-Prefeito em 2012, o qual, hoje, candidata-se novamente para o cargo de Vice-Prefeito do Município.

                                                                            A ausência de publicações de venerandos acórdãos do Recurso apreciado no Tribunal Superior Eleitoral e na ação cautelar naquele promovida, quando do momento do pedido de registro de candidatura, em 15 de agosto de 2016 e quando da apresentação da contestação nestes autos, não pode impedir, a meu juízo, a produção de efeitos da veneranda decisão proferida na Corte Eleitoral Paulista, isto porque a medida liminar foi revogada e, como é sabido, tinha caráter provisório e, assim, revogada, deixou de produzir efeitos que vinha produzindo até o julgamento no Superior Tribunal Eleitoral.

                                                                            Vê-se no texto da missiva endereçada a este juízo pela digna Secretaria da Judiciária – TRE/SP, fls. 331, o seguinte:

“POR ORDEM DO EXCELENTISSIMO SENHOR DESEMBARGADOR PRESIDENTE, ENCAMINHO A VOSSA EXCELENCIA A DECISÃO PROFERIDA PELO C. TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL, NOS AUTOS DO PROCESSO EM EPÍGRAFE, PARA SEU IMEDIATO CUMPRIMENTO”

                                                                            O documento de fls. 332 tem a Mensagem 50/COARE/SJD/TSE, de 08.08.2016, no qual é comunicada a improcedência da ação cautelar 22.-30.2015.6.00.000- TSE, e revogação da liminar outrora deferida, nos termos do voto do Relator Ministro Herman Benjamin, mensagem esta subscrita pela Secretária Judiciária.

                                                                            Não se trata agora de homenagear o princípio da inocência, aguardando-se publicações de acórdãos e de possíveis novos recursos, quando não se tem, neste momento, qualquer outra medida cautelar restabelecendo os efeitos da medida liminar revogada na ação cautelar intentada, sequer notícia de pedido de reconsideração no aguardo das publicações dos acórdãos na Corte Eleitoral de Brasília, na espreita de possível interposição de embargos de declaração ou outro recurso que a combativa Defesa possa vir a interpor.

                                             
                                                                            Este Juízo Eleitoral, de Primeiro Grau, não pode reexaminar questões postas e examinadas em Instâncias Superiores em face de venerandas decisões naquelas proferidas, em especial, no acórdão do Recurso Eleitoral, T.R.E.de São Paulo, cuja ementa foi acima transcrita, o que se mostra impensável, pois, haveria imperdoável ofensa ao princípio de hierarquia e desrespeito ao sistema eleitoral e à legislação vigente, à Lei da Ficha Limpa, inclusive.

                                                                            Não há dúvidas, assim, de que, na ausência de qualquer outra medida judicial que suspendesse ou suspenda os efeitos da decisão colegiada da Corte Paulista no Recurso Eleitoral apreciado ou mesmo de outra medida judicial que suspendesse os efeitos da revogação da medida liminar na ação cautelar promovida no início de 2015, que dera suspensividade àquela decisão do TRE, no momento do requerimento de registro de candidatura de José Bernardo Ortiz Monteiro Júnior, ao cargo de Prefeito Municipal de Taubaté, nas eleições de 2016, não estava, e nem está no momento em que profiro esta decisão, no pleno exercício dos direitos políticos, observada a Lei Complementar nº 64/1990, com redação dada pela Lei Complementar 135/2010,  em especial, por se mostra o candidato José Bernardo Ortiz Monteiro Júnior enquadrado em seu art. 1º, inciso I, alínea “d”.

                                                                            Encontra-se ele, em suma, inelegível, salvo se emergirem alterações, fáticas ou jurídicas, supervenientes ao registro que afastem a inelegibilidade (art. 11, § 10 da Lei nº 9.504/97, incluído ela Lei nº 12.034 de 29.9.2009).

                                                                            Desnecessário esperar publicações de venerandos acórdãos no T.S.E. como afirmado pela Defesa para que, depois, venha a se confirmar a sua inelegibilidade, pois o venerando acórdão da Corte Eleitoral Paulista está a produzir efeitos, tanto que o ora candidato, eleito em 2012, empossado em 01.01.2013, encontra-se afastado do cargo de Prefeito Municipal, o qual hoje está a ser exercido pelo Presidente da Câmara Municipal de Taubaté.

                                                                            Ora!
                                                                                           

                                              Se efeitos foram produzidos pela veneranda decisão de forma a alcançar a Administração Municipal (2013/2016), afastando-o do exercício do cargo que ocupava, o de Prefeito Municipal, seria ilógico não surtir efeitos agora a evitar nova eleição no tempo previsto em lei, ou seja, pois se no momento do requerimento de registro de sua candidatura e até este momento, encontra-se inelegível por oito anos, nos termos do venerando acórdão da Corte Eleitoral Paulista, esse tempo deve ser respeitado, salvo de advier modificação no julgado mencionado.

                                                                            O mesmo não se pode dizer quanto ao candidato Edson Aparecido de Oliveira, o qual, segundo análise dos documentos apresentados quanto a ele, os limites do venerando acórdão acima referido, não obstrui sua candidatura, pois houve respeito à legislação vigente, não sofrendo ele qualquer impugnação para essas eleições, portanto, mostra-se elegível.

                                                                            Todavia, o registro da Chapa apresentada (candidaturas a Prefeito e a Vice-Prefeito, não pode ser deferida, conforme se depreende do art. 49 da Resolução TSE 23.455/2015, observando-se o seu § único, inclusive.


                                                                            Dispositivo

                                                                           
                                                                            Posto isso e considerando tudo o mais que dos autos consta, JULGO PROCEDENTES AS AÇÕES DE IMPUGNAÇÃO DE PEDIDO DE REGISTRO DE CANDIDATURA, aforadas pelo MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL e pelo PARTIDO SOCIALISTA E LIBERDADE- PSOL,  ACOLHIDA A IMPUGNAÇÃO DE CANDIDATURA apresentada por IRANI GOMES DE LIMA, porquanto, as primeiras absolveram essa última, e INDEFIRO O REGISTRO DE CANDIDATURA, apresentado em favor de JOSÉ BERNARDO ORTIZ MONTEIRO JÚNIOR, requerida em seu favor pela Coligação “Taubaté que a gente quer” (PP, PDT, PTB, PSC, PR, DEM, PHS, PSD, PSDB, PRP, PSD, SD, PROS).

                                                                            Considero preencher Edson Aparecido de Oliveira as condições de elegibilidade.

                                                                            
                                                                             Porém, o pedido de registro da chapa apresentada, para eleições ao cargo de PREFEITO MUNICIPAL e de VICE-PREFEITO MUNICIPAL, FICA INDEFERIDO.

                                                                            Dê-se ciência, ao trânsito em julgado desta decisão, ao MM. Juiz Eleitoral da 407ª Zona Eleitoral, o qual dispõe de competência sobre “propaganda eleitoral” no pleito municipal que se avizinha.

                                                                            P.R.I.C.

                                                                            Taubaté,  08 de setembro de 2016


                                                                            PAULO ROBERTO DA SILVA
                                                                                     Juiz Eleitoral - 141ª Z.E.