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terça-feira, 11 de outubro de 2016

TAUBATÉ NADA TEM CONTRA A CORRUPÇÃO

Na urna, o eleitor taubateano perdoa os condenados pela Justiça. Perdem, assim,  direito de reclamar e de exigir
Antonio Barbosa Filho (*)

Não há desculpas: a maioria do eleitorado taubateano adora a corrupção. É o que nos mostraram as urnas de 2 de outubro, e contra números não há argumentos.

Minha cidade natal, onde vive boa parte dos meus mais queridos amigos, é o antro preferido pelos corruptos. Aqui se pode roubar, mentir, dar calotes, trair a mulher ou o marido: tudo se perdoa. Especialmente nas urnas.

Quando meus conterrâneos deixam-se levar pela propaganda paga de um Juninho Ortiz, por exemplo, estão dando seu aval à corrupção política e moral. Ou algum idiota vai me dizer que não sabia que o ex-prefeito foi tirado do cargo que comprou em 2012 pelo PT ou pelo Papa?

Algum irmão taubateano vai me dizer que o juiz eleitoral de Taubaté deixaria o candidato cassado e que ele mesmo impugnou, disputar uma eleição livremente, se esse candidato fosse de outro partido que não o PSDB? Se o Juninho fosse do PT provavelmente estaria preso - não em Curitiba, onde tucano não entra na cadeia graças ao amigão Moro.

O mesmo vale para a Câmara Municipal. O povão adora quem lhe faz pequenos favores, compra votos, e usa de recursos públicos para fazer campanha eleitoral e fortuna pessoal. Nossa gente reelegeu a maioria dos vereadores de uma Câmara omissa, se não cúmplice, das roubalheiras da Prefeitura.

Nasci e vivo nesta cidade de Taubaté, e muito me orgulho de ser conterrâneo de Monteiro Lobato, de Gentil de Camargo, da Celly e do Tony Campello, do Fego e da Hebe Camargo, entre tantos gênios que amavam ou amam nossa terra. Porém, o cinismo e a hipocriaia aqui já passaram dos limites.

Respeito as urnas. Sei perder, mas não gosto. Perder uma eleição é normal. Ver o meu povo votar num corrupto, me dói. Todos os demais candidatos merecem meu profundo respeito: são pessoas honestas que não se venderam aos Ortizes. Os Ortizes querem cúmplices, não parceiros prá pensar em Taubaté, Dou meus parabéns a Pollyana, ao Saud, ao Silvio Prado, a Vera e ao Donizeti. Vocês lutaram a luta eleitoral por amor a cidade e contra uma ditadura política que já dura mais de trinta anos. Pena que todo este esforço fique no ar, enquanto o povo aguarda uma decisão final, que já demorou demais por fragilidades da lei eleitoral e de juízes que obedecem a reforma feita em dezembro passado pelo deputado (agora cassado e réu) Eduardo  Cunha. Aliás, Eduardo Cunha, o ladrão, tem muitos fãs em Taubaté!

Quando se joga 12 milhões de reais em Brasília para salvar um mandato cassado, tudo pode acontecer.

Que o povo de Taubaté acorde e seja sincero: afinal você, leitor, é   contra ou a favor da corrupção?

(*) Antonio Barbosa Filho é jornalista e editor do blog valepensar.net